3.096 Dias – Natascha Kampusch

Eu fiquei super animada para ler esse livro no ano passado quando dei de cara com um busdoor. Comprei em março desse ano, coloquei na pilha de livros em espera e consegui ler, finalmente.

Para quem não sabe, Natascha Kampusch é uma mulher austríaca de 23 anos que perdeu parte da infância e toda a adolescência por causa de um psicopata chamado Wolfgang Priklopil que a manteve 3.096 dias em cativeiro.

É uma história real, e quem nos conta é a própria Natascha. À princípio somos apresentados a seus pais e a sua ‘vida antiga’ em um conjunto habitacional no Rennbahnweg. Sua mãe era durona e seu pai estava no caminho do alcoolismo, fazendo com que ela preferisse passar horas e horas com sua avó amável. O clima em casa era pesado, o que levou ao divórcio de seus pais. Sua vida nunca foi fácil, mas ela nunca suspeitou que poderia piorar. Afinal, o que mais poderia acontecer? Foi em uma dessas indagações no caminho da escola que Natascha foi sequestrada. Sua vida mudaria como ela jamais poderia imaginar.

Foi a dureza herdada de sua mãe que a fez aguentar por muito tempo ser feita de brinquedo na imaginação doentia de Priklopil. Ele queria ser amado, ele queria se sentir no controle. Sua história explicava o seu comportamento. Natascha começou a entendê-lo, surgindo assim um sentimento diferente da raiva e do ódio, diferente de querer vingança que para a polícia e estudiosos é chamado de Síndrome de Estocolmo. Natascha nega com todas as palavras que possa encontrar e diz que isso é uma estratégia de sobrevivência.

Sua estratégia deu certo e continua dando, ao passo em que ela consegue ter uma vida normal. Apesar de ter vivido os oito anos fazendo tudo o que o sequestrador mandava, ela conseguiu fugir. Durante esses anos ela esperou por uma brecha. Algumas vieram, mas muito arriscadas. Ela pensava em tudo o que podia dar errado e se continha. Um dia fez um pacto com seu ‘eu do futuro’. Quando fizesse 18 anos ela fugiria. E como um milagre, o descuido ocorreu quando ela tinha essa idade e então conseguiu cumprir. Ela achava que estava livre.

Uma nova fase surge em sua vida. A população que até pouco tempo a admirava começou a virar-lhe as costas por causa das suas opiniões que iam contra o senso comum. Ela fez o livro para se expressar, e finalmente pôde dizer que estava livre.

OW! Na medida em que eu ia passando as páginas ficava mais perplexa. Como uma menina de 10 anos poderia entender tão bem aquela situação ao ponto de entrar no jogo e saber o momento certo de dar game over? Eu não pude deixar de me colocar no seu lugar e ficar na dúvida se eu sobreviveria. Será que eu ia virar contra o sequestrador, odiá-lo até a minha morte como se fosse o certo a fazer? Eu tive que tirar da minha cabeça pensamentos de “ela é outra louca”. Se vocês lerem o livro vão entender. Eu estou de boca aberta até agora.

Recomendo para quem gosta de histórias reais, que não se incomodam com uma falsa cronologia. Ela narra por exemplo o dia 21, mas de repente está lá no passado explicando alguma coisa necessária e depois volta para o 21. Eu não me incomodei e gostei bastante.

Agora, se vocês quiserem saber mais, achei um blog português que juntou vários documentos dessa história: http://bit.ly/kJuEUf

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5 comentários sobre “3.096 Dias – Natascha Kampusch

  1. olá, achei bem legal sua resenha.
    O livro não faz meu estilo, mas fiquei bem curiosa com a história.
    Essa garota é um exemplo de determinação.
    Desejo só coisas boas para a vida dela.^^
    beijos.

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